quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Reflexões sobre o acaso (numa cadeira de plástico às cinco da manhã)


Nem sempre as coisas acontecem como a gente quer que aconteça. Que me perdoem os perfeccionistas, mas a imperfeição é linda. Não tanto quanto a ignorância, mas ainda assim, bela. Para os que acreditam em destino, vocês não fazem nada mais além de confiar no improvável. Na sorte, por assim dizer. Há quem diga que a sorte é uma coisa boa, mas na verdade o azar é algo inexistente. Por isso a sorte na verdade deveria se chamar entropia. Pois tudo que é entrópico é improvável, imperfeito, desconexo. Assim como a dita-cuja sorte. Acredite, se você ganhou na mega-sena, você ganhou por acaso. Se você escorregou no meio da rua, isso também foi obra do acaso. Não é porque Deus quis. Se Deus realmente existe, ele não tem o menor tipo de influência nessas coisas. Não porque Ele não pode ter influência, simplesmente porque Ele não quer. Provavelmente Ele se diverte vendo nossa luta contra (ou a favor) do acaso em nossas vidas.

            Costumo relacionar alguns sentimentos com o acaso. Por ora, o amor. Que todos desejam, que todos anseiam por preservar. Indubitavelmente, meu sentimento favorito. Quem, afinal não gosta de sentir aquele friozinho na barriga, as mãos transpirando suor, aquela vontade de estar por perto? Pois bem, o amor também é puramente fruto do acaso. Você não decide quando ou quem você ama, e quando você vai se apaixonar por alguém. Até aí tudo simples, você decidiu se acostumar com isso. Mas e os amores pra vida inteira? Quem estabelece os limites do amor? Não somos nós. Nem mesmo Deus, caro leitor. Como eu já disse, Deus  não quer controlar o acaso. Ele pode ter criado o amor, mas o amor por si tem vida própria.

            Bem, isso esclarece alguns pontos a respeito do amor, que todos nós temos dúvidas, principalmente o famoso paradoxo da “mulher de malandro”. Você sofre de amor (sim, amor é uma doença), e não existe remédio que o cure (não que alguém queira ser curado de amor, na verdade). E todo o o tipo de perjúrio que você sofre, você não sofre porque você é uma pessoa estúpida que tem o dedo podre. A lógica é simples: toda doença tem sintomas. Um dos sintomas do amor, talvez o pior deles, é dar a nós a imensa propensão de cometer erros. Ocasionalmente, você faz a coisa certa quando você ama, mas na maioria das vezes, tudo o que você faz é um erro. Ou melhor, diremos que você até acerta, mas acerta por engano. Todavia, o amor funciona como o próprio acaso, afinal de contas, ele é fruto dele. Quando sofremos de amor, estamos presos à vontade do acaso. Você não tem escolha, não tem saída. E isso é o mais belo do amor. Você se prende de uma forma tão forte ao acaso, mas tão forte, que você simplesmente se esquece dele. Logo, voltamos à nossa vida de planos e pretensões, mas doentes de amor.

            Pois bem, presos à imprevisibilidade do amor, o que devemos fazer? Agir contra o acaso, mesmo que eventualmente o acaso vá de encontro a você, ou simplesmente se deixar levar? Essa pergunta me bate à porta da mente muitas vezes, porque meus interesses pessoais entram em conflito constante com meu amor irracional e, quase sempre, eu acabo me deixando ir. Vou boiando levemente nas águas bravas do acaso, como se ele simplesmente não existisse. Não é bem o nirvana, mas eu pelo menos aceitei o acaso como inevitável. E o amor também. Afinal de contas, sofrer de amor não é ruim. Muito provavelmente não chega nem perto da receita de ter um amor pra vida inteira. Mas se essa receita é decidida pelo acaso, quem sabe?


- Escrito por André Chamon, 2013.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Olá, adeus.

 E eu disse adeus. Adeus pra toda ilusão que criei em minha mente torta, querendo que tudo fosse verdade e, ao mesmo, preferindo que fosse mentira.
  Via as coisas de um jeito, engraçado até, porém muito contraditório. Será que nesse tempo todo eu fui a cega? Eu me prendo na verdade de que seria o correto, seria  o pico mais alto da minha confiança pra levar um tombo dos mais altos. Talvez eu tenha sido sim, mas por outro lado, posso estar muito mais correta do que muitos que já me tiraram a razão. Ou não.

 É estranho agora lidar com essas coisas pesadas, pensar como será ou seria se tivesse feito algo a mais ou a menos. Infelizmente, passado é passado. Fui obrigada a dizer adeus, já não tava me fazendo bem, mesmo pagando pra sofrer. Talvez eu realmente fosse a cega otária. O que eu menos queria aconteceu, e depois de muito não posso achar um culpado, nem me culpar. Foi uma linha torta que conduziu pro torto.
 O mais legal disso tudo é que quando você dá adeus, no mesmo instante em um novo Olá. As coisas que mais queremos  devem ir embora pra que as coisas que menos esperamos possam se tornar grandes. 

 Então, não foi um Adeus e sim um até breve, porque chegou um novo Oi pronto pra ser Olá e quem sabe ser um tchau.


domingo, 30 de setembro de 2012

Lembrança


Ela o amava. Ele só queria curtir a vida. A história deles começou do nada e terminou em lembrança..

Ela acordou depois de ter um sonho esquisito, parecia real. Sentou-se na beirada da cama, procurando suas pantufas com o pé, esfregando a manga do pijama nos olhos, e com a outra manga, tentava arrumar o cabelo a la medusa. Foi em direção ao chuveiro tomar aquela ducha gelada querendo esquecer o que sonhara. Deixando as gotinhas frias em sua face, olhava pra cima procurando resposta no chuveiro metálico “ Como se fosse adiantar, pif”.

 Vestiu sua roupa de estágio, pegou a marmita que preparou na noite anterior, e numa velocidade a mil, saiu correndo atrasada.

Ele estava no vestiário do clube terminando sua ducha após treino.  Passava desodorante, perfume, enrolado com uma toalha na cintura, parecia um modelo (só que não). Colocou sua bermuda, chinelo e uma camiseta toda estilizada. Seus óculos escuros cobrindo aquelas duas azeitonas. Estava indo pra faculdade.

Eles já se conheciam, tinham alguma parte de uma história começada, mas pra ela, ainda estava tudo muito confuso quando se tratava de entender aquele sentido. Coração fala mais alto, sempre a coloca em situações errôneas. E foi num dia desses que tudo aconteceu:

“ A lua tá tão bonita, né?” – suspirava
“ Sim, bem brilhante...”
“ Sabe, queria falar contigo...”

E então depois de um bom tempo, ele levantou e deu as costas indo embora. Ela ficou sentada no meio- fio olhando a lua, e daquele brilho exuberante, refletiam em lágrimas silenciosas. Quando foi pega de surpresa: recebeu um abraço por trás, sentia a respiração em sua orelha, parecia assustada. “ Você é uma tola”. E ficaram ali abraçados olhando pra o céu, em silêncio, como se esperassem o nascer do sol.

 A partir daquele dia, não se tornaram namorados, mas viviam uma vida conjugal muito tranquila. Saíam, trocavam mensagens, discutiam, porém tudo estava ali, bem ou mal.

Num dia de estágio, seu celular toca e um número restrito. Atendeu desconfiada. Foi quando seus olhos se encheram de lágrimas,  com soluços e tremedeiras. Levantou correndo em direção à saída. Estava desnorteada, só queria ir pro hospital. Suas pernas corriam por vontade própria, nas condições em que ela se encontrava, nem poderia sair do lugar. Parecia longo o caminho, nada fazia sentido...

Ao entrar no quarto onde seu amado estava desmaiado, deitou em cima de seu peito e começou a chorar. Dizia “ Por favor, não me deixe! Não me abandone, preciso de você comigo!”. Quem estava no quarto se comoveu diante de tanto pranto e demonstração de amor “eu faria qualquer coisa pra te salvar”. Nesse exato momento, uma voz dentro de sua cabeça começou a falar coisas sem sentido. Ao perceber, o tempo tinha parado e ela estava em seu subconsciente, de cara um homem vestido de bobo da corte.

 “ Minha cara, você faria tudo pra salvá-lo?”
“ Que merda é essa?! Quem é você, onde estou, oi bem?!”
“ Eu sou alguém que você criou para salvar seu amado, está disposta?”
“ E eu confiaria em ti por...?”
“ Porque você que me criou. Agora, eu posso te ajudar...”
“ Como?”
“ Ele tá muito fraco. Eu posso pegar um pouco de sua energia e passar para ele, salvando-o.”
“ Eu acho que bebi. Isso é impossível! Seria trocar a minha vida pela dele?”
“ Não. Seria você doar um pouco de sua energia vital para salvá-lo. Continuaria viva e forte, no entanto..”
“....”
“ Ao realizar tal ato, vocês perderão a memória. Ele não se lembrará de você e vice e versa..”
 “ Isso tudo é loucura, mas parece verdade. Eu poderia recusar, mas prefiro vê-lo vivo e realizando seus sonhos..- mesmo eu não fazendo parte disso.” Chorava, mas determinada. Sua consciência estava limpa, estava disposta a perder tudo pra recomeçar.

 O processo foi feito, e antes que ela perdesse a consciência, esse ser misterioso lhe avisara “ Nenhuma lembrança se apaga. Está sempre conosco, adormecida. Uma hora pode despertar, ai é com você.”
Sua mente se esvaziou. Estava tudo branco.

 Ela acordou depois de ter um sonho esquisito, parecia real. Sentou-se na beirada da cama, procurando suas pantufas com o pé, esfregando a manga do pijama nos olhos, e com a outra manga, tentava arrumar o cabelo a la medusa. Foi em direção ao chuveiro tomar aquela ducha gelada querendo esquecer o que sonhara. Deixando as gotinhas frias em sua face, olhava pra cima procurando resposta no chuveiro metálico “ Como se fosse adiantar, pif”.

 Vestiu sua roupa de estágio, pegou a marmita que preparou na noite anterior, e numa velocidade a mil, saiu correndo atrasada.

 Andando pela rua, pensando ainda no sonho, cruzou com um garoto de bermuda, óculos de sol, camiseta estilizada e chinelo. Os dois cruzaram os olhares e depois continuaram adiante, um para cada lado.
Estava frio, e o vento carregava pra longe lágrimas de alguém que lembrou.




terça-feira, 28 de agosto de 2012

Amizades: Vivemos sem?


Até que ponto podemos chegar para entendermos as pessoas? Será mesmo necessário ter que entendê-las para tudo fazer sentido?
 Como uma pessoa é capaz de adivinhar o quê o outro pensa, sente, sem ao menos tentar compreendê-la e conhecer seus reais motivos? Julgar é fácil, são os erros que mais ficam visíveis. São as mancadas que ficam marcadas, mas querer aprender sobre o outro, entender o porquê de seus erros  ,e então, ter uma base para julgar, parece ser a coisa mais difícil quando na verdade é a coisa mais fácil, e acima de tudo, mais prazerosa.
 Imagine conhecer seus amigos, entendê-los e aceitá-los, rirem só de trocar olhares, não é maravilhoso? Maravilhoso em saber que mesmo com todos os defeitos, eles ainda estarão lá contigo para ajudar, brigar e conversar.  Quando você pega alguém para entender e/ou ajudar pois está com problema,  às vezes esse não consegue falar , ou simplesmente não quer. A única coisa que o deixaria confortável seria um abraço, apenas um gesto. Não haveria necessidade de se falar nada, saber que o abraço recebido é sincero, esse é o melhor conforto e ajuda que possa dar.
 As palavras, por mais bem intencionadas ditas, podem ainda ferir, não ajudando, mas piorando ainda mais a situação. Quando você pega alguém pra confiar, você espera ver um espelho de trocas: espera-se que, ao mesmo tempo em que estará lá por alguém, este faça o mesmo. Sabemos que isso não acontece na realidade.
 Ai , bate aquela questão: “ eu achava que o conhecia “. Por que  que não pôde conhecer? Será que foram máscaras, ou fora a insegurança e o medo e se expor? Se fossemos sinceros sempre, percebermos que aquele ali quer o seu bem, suas atitudes erradas perdoaria?
 Eu sempre acho que posso contar com todos, mas eu sei que sempre me entrego mais. .E o retorno quase sempre é decepcionante. Vejo amigos que dizem que se importam e tudo mais,  mas na hora h, quando se mais precisa, não está lá por algum motivo ou desculpa. Vê como trata você e os outros, se pergunta onde foi que errou.  Confiou demais, esperou demais?  Qual o conceito?

Talvez eu devesse dar espaço pros outros, assim como eles devem me mostrar suas intenções e deveres. Perceberem que atitudes magoam, e que se redimir não é só pedir desculpa.  Isso vale pra mim também, infelizmente. Afinal, ninguém é perfeito. O mais gozado de tudo isso é que mesmo assim, a gente perdoa. 

 Talvez isso tudo seja uma ponta solta dessa grande e confusa rede duradoura chamada de amizade.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Domador de Sonhos

O que sempre queremos nem sempre está disponível. Temos que desistir de sonhos para que possamos crescer e continuar nosso caminho. Retomaremo-os depois? Ou por comodismo, não lutaremos mais por aquilo que prezamos?

A partir de quais escolhas temos que desistir de nossos sonhos? Seria errado, correto ou necessário?
 Seria ousado? Seria precipitado? O que  seria senão tivéssemos  os sonhos? Vazio, incompleto.

Dos meus sonhos tiro minha vontade de viver, de crescer e realizar metas que, por mais impossíveis que sejam, acabam sendo possíveis de tanta persistência. Muitas vezes tive que mudar meu jeito, necessidade de  me reconhecer diante das atitudes dos outros: quem sou eu pra falar dos sonhos alheios? Ninguém pode viver o sonho do outro, muito menos opiná-lo. Tive que me adaptar ao mundo, pois percebi que tudo é movido por esse subjetivismo, essa substância que tem forças milagrosas e , ao mesmo tempo destruidoras, é a chave pra que todos possam viver um com o outro, respeitar sonhos alheios e construí-los junto.

O mais legal é que ninguém entende , ou consegue perceber suas significações. Seriam símbolos, desejos, previsões? Seriam alertas? Ninguém sabe, apenas vamos seguindo -os , acreditando fielmente no que propôs a conseguir, a realizar. Não pensamos nas consequências, nos males que cada sonho pode trazer... Ai seriam pesadelos?

 Até que ponto vale a pena lutar pelo seu sonho? Será que um sonho pode nos prender da vida, sendo que ele mesmo que nos da vida? O mais legal de ter a possibilidade de desistência é que sempre  conseguimos um novo, e tudo se recicla, tudo melhora( ou piora). Então, valeria a pena se desprender de um sonho que está fazendo mal, para que assim, pudesse recomeçar com outro? A possibilidade de serem sonhos bons ou não dependem de suas escolhas , e não do universo.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

As 4 Estações

Não, não é a música da Sandy e Junior!

 Todo ano eu vejo as mudanças de estação, e dizem que com elas todos os males se vão.  Meu pensamento vai além, falando metaforicamente,  quando vejo que meus problemas não só se vão, mas como ficam estocados nas folhas, no vento, nas flores. Podemos dizer que, naquele período intenso, a fase do Inverno chegara, causando dor, perda e insegurança. Ficamos mais sensíveis, frágeis. Temos que lutar contra frio e com a vida, pois esta não pára.
  Ou quando antes chega o Outono, seria um período de preparação física e mental, prontos para cair na grande depressão; como o cair das folhas secas para enfrentar o inverno que tá chegando. Vivemos esperando que tudo acabe bem no final, mas pra isso, precisamos agir e lutar. Plantar  e esperar que aquelas lindas flores floresçam , trazendo paz e esperança.
  Falando na esperança, a Primavera é o período mais bonito. É o renascimento daquelas folhas e flores, que vieram para enfrentar seus ciclos da vida. É a árvore onde a flor é a esperança e o cheiro é uma terapia. Traz aquela sensação de que tudo está prestes a recomeçar com novas aventuras, novos sonhos, novo tudo. Prestes a ir adiante, vangloriando pela vitória conquistada e a sobrevivência das duas estações anteriores.
  Falta o Verão. Ah, o Verão.! Relacionando-o com as Férias, podemos dizer que nossa batalha também precisa delas. Já que estamos renovados e batalhamos um pouco, é no verão que mostramos nossa dedicação e força de vontade para tirarmos aquele descanso merecido, uma recompensa. Afinal, depois do verão, começa tudo de novo..Suas metas renovadas na Primavera  e batalhadas no começo do Verão, enfrentarão Outono e Inverno, e assim, a coisa se repete infinitamente. Claro que imprevistos acontecem, e nem sempre  Primavera será boa e Inverno ruim, isso dependerá de como o mundo está reagindo a nós mesmos.

 Seria então que a vida segue as 4 estações?



terça-feira, 24 de julho de 2012

Sure

Faça parecer o certo. Conserte o errado. Faça seus desejos, exclua sua inferioridade.
 Ame quem amar, sofra para aprender. Toda vitória é uma derrota quando não acreditada.

Eu já estou numa roda girando sem parar:  roda, roda, roda e tudo parece só desabar..Levanto-me todas as vezes,  pois mesmo não acreditando que eu possa, no fundo, tenho uma certeza incontrolável de que vou até o fim.

 Canto todas as noites pra você, esperando que a ouça um dia  e não venha me socorrer, mas sim, me entender.