quinta-feira, 27 de junho de 2013

Nada.


 
 Eu escrevo e apago. Penso, suspiro, olho ao redor para ver se vem alguma idéia. Nada.
 Tento de novo, apago de novo, suspiro de novo. E de novo, nada.
 Faço pausas, ouço músicas, reclamo mentalmente do dia de amanhã e ainda nada.
 Penso no almoço de hoje, na janta de amanhã, no café da tarde e continuo com nada.
Olho pro relógio, marco a hora mentalmente e volto a olhar pra tela do notebook. Adivinha? Nada.
Torço o bico, bufo, olho de novo a hora e não passou 1 minuto. Até agora nada.
Começo a ficar impaciente, tiques voltam à tona, a cólica me derrotando de tanta dor e eu só consigo   pensar em nada.
Nada? Nada, nadinha pra escrever? Nada.
 Até peixe nada, isso me consola. 

 

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Segundo Sol

  
 Todo dia nasce um sol diferente pra iluminar um caminho incerto e até torto. Com a sua luz, reflete na grama toda a pureza e vitalidade de uma natureza rica. Seu calor aquece seu corpo lhe dando forças para continuar nesse caminho cheio de buracos e incertezas, só que nada importa.

 Não tem explicação.


Você possui um objetivo: se enraivece, se desespera, se tortura e se sacrifica para realizá-lo. Sua força de vontade é maior, mas sua arrogância predomina o vencedor, mesmo perdendo tudo. Sempre somos vencedores, a cada flor que nasce, honramos quem somos e sabemos o que fizemos. E a arrogância continua, junto com a teimosia e a negação.
  Essa é a graça da vida: mesmo que seu dia tenha sido uma merda, você sempre continua a acordar no dia seguinte querendo vencer essa fadiga emocional. E o melhor de tudo: não está sozinho.

 Sempre nascerá um Sol e isso não tem explicação.

sábado, 13 de abril de 2013

Uma mão cheia de areia.



  É como levar um caldo na praia. É de repente, é ridículo.

 Se pudesse ver você mesma, como um clone, o que diria? Como reagiria? E se na verdade esse clone fosse  tudo que já imaginou, esperanças, sonhos? Quando fosse tocá-lo, veria que não passa de uma miragem, de um objeto abstrato. Sentiria que tudo aquilo que um dia imaginara não passou de uma simples ilusão, um sonho.

 Tudo que você quer é esquecer e viver a vida, mas o passado e aquele remorso de que "eu poderia ter feito algo" ainda consome toda a inocência, e perturba a mais delicada mente. Na verdade, nada mudaria.
 Eram apenas sonhos  e uma hora temos que acordar...Nem que seja da pior maneira possível.


  Areia que o vento levou.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

O girar de uma bicicleta


É estranho pensar que o mundo dá voltas. Estranho é imaginar que pessoas passadas possam voltar na sua vida. Mais estranho ainda é como você se desapega a elas.

Criamos laços, conversas, segredos, caminhos e revoltas. Vivemos de acordo com nossas regras, nossos sentidos e vontades, nossas esperanças. Estas que nos move rapidamente através tempo e espaço, e quando percebemos, estamos em outro lugar, em uma nova vida. Adaptação e aceitação de quem somos e dos erros jamais desfeitos ou assumidos nos perseguem como uma sombra, um peso. A consciência pede arrego, você dá-lhe mais tormento...Tormento, palavra que traz uma sensação ruim. Você luta para achar seu lugar nesta nova etapa de sua vida, o tormento de quem está sozinho, sem amparo ou ajuda de quem já o ajudou uma vez, no passado.

As pessoas mudam, o tempo corre e a vida nos derruba. Nada mais será o mesmo. Perdeu a oportunidade de agradecer ou pedir perdão, de ajudar ou ser ajudado, de amar e ser amado, de ser uma boa pessoa.

O mundo gira, gira, gira como uma roda de bicicleta que percorre um longo caminho atrás de um sonho. Gira, gira, gira como a Terra em torno do Sol. Gira, gira, gira...Gira...Apenas gira. O Mundo gira, todos giram, e você continua parado.

Gira, gira, gira..


- Re-post do conto feito em 2011.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Justo do incerto


 O passado bateu em minha porta e eu abri: senhoras e senhores......

   O mundo dá voltaaaaaaaaaaaas, não quero mais pensaaaaaaaar o que ficou pra tráaaaaaaaas...nem tudo mudou!

 Criativo agora, hein?

Enfim, volta e meia no relógio pra viver. O tempo corre contra mim, sempre foi assim e sempre vai ser. E milhares de recordações transformam tudo em canções...E essa daqui é pra você: ideias que foram deixadas para trás, seguir em frente, o que passou não volta mais.


Eu juro que parei, mesmo! Foi mais forte que eu. E não, não me perguntem porque CPM22, relembrei e deu certo...Vendo assim, eles eram bem emos mesmo.

 E quando o mundo dá voltas e você fica sem reação? Quando tudo que tinha sumido, reaparece pronto pra por seu coração na incerteza de certeza. Desconfio que foi sem assim. (ok, parei de vez) Ai,  um diz pra arriscar, mas o mais sensato seria ficar na sua e não trocar o óbvio pelo parece. O fruto proibido é sempre mais legal.

 Largar tudo pra ver algo que talvez nem vá acontecer, não porque quer, mas por não ter condições. Acredito que se tiver que ser, será. E quem sabe no futuro as coisas não mudam?





sexta-feira, 15 de março de 2013

Uma folha de fotos.


  Foi debaixo daquela árvore morta, com folhas pretas refletindo toda a escuridão e sofrimento, que rasguei a única foto que tive, registrando um dos meus melhores momentos.

  Passei a olhar o céu fechado com nuvens carregadas e pesadas, pingos de chuva carregando dor e fazendo  estremecer  tudo que tocara. Sensação que a cada pingo em minha pele, uma navalha me cortava. Era tão pesado e culposo, eu não sabia lidar mais com tudo aquilo. A tristeza de deixar todo um passado pra trás é inexplicável. Como?
  
Não sei se "como" é a pergunta mais correta, mas é a única que me vem a mente. Será tão fácil assim sair da vida de alguém e fingir que nada aconteceu? Nada teve significado e que não tirou nenhuma aprendizagem?
Voltei para essa árvore atrás de respostas, mas só consigo sentir o cheiro de terra molhada e os pingos cortantes em meu rosto. Eram as únicas lágrimas. Eu não tinha mais porquê chorar, não mais.

  Revejo fotos das quais não estou e tiro a conclusão que talvez eu nunca devesse estar. Algo sem sentido, sem valor, sem fundamento. Sem nexo. Não era pra eu fazer parte.

   E é debaixo dessa árvore que rasgo a única foto em que estou presente para que volte a ter cor e prospere como a natureza sugere. Estou dando adeus à solidão.


Texto inspirado na música " Farewell Solitarie", CC.




   

quinta-feira, 14 de março de 2013

Valeu a pena?

Um amigo meu me mandou isso e resolvi postar:


" Afinal, valeu a pena? Ê ê...

E boom, você pensa naquilo ou aquilo te encontra ou sei lá. Mas se você nunca parou pra pensar nisso ou pra isso te encontrar, durante toda sua vida você vai gastar mais tempo, dinheiro, suor, lágrimas com pessoas no final simplesmente não valeram a pena.
Isso simplesmente me ocorreu, deitado, por acaso pensando no passado e quanto de mim eu tinha gasto "nisso tudo". Tantas viagens e tantas noites acordados e tempo perdido. Mas, oh wait, vamos avaliar aqui:
1- As melhores viagens ocorreram para encontrar amigos, e não quando fui correr atrás de mulher.
2- As maiores diversões ocorreram quando eu não tinha nada na cabeça além de me divertir com os amigos.
Claro que também existem amigos que estejam no grupo dos que não valem. Mas posso dizer : quase todos que entram nessa, valem. Não importando se a personalidade te irrita um pouco ou o jeito lerdo te fode num jogo.
Imagino que no final é isso que tem valor. É o que pega os pedacinhos daquela coisa quebrada e vai juntando tudo de novo. Que realmente faz valer a pena." "

- Escrito por Thiago Furlan Bielenberg.


Pegando o gancho desse texto, na minha opinião, as coisas sempre vão valer a pena. Tudo tem um valor, sendo que a sua definição vem de seus atos, usos e sentimentos. Se uma criança pobre me desse um pedaço do seu  único pão em forma de agradecimento, com certeza eu relutaria em aceitar - pensando que aquele pedaço pode ser uma das suas únicas  refeições durante dias- mas por outro lado, eu pensaria em aceitar, pois naquele momento, aquele pedacinho ganhou um valor além do que a humanidade praticaria. Como também, a mesma criança poderia jogar o pão na minha cara e me xingar.

 A troca de valores vem de como cada um vê o outro ou algo. Eu tenho meu valor, posso valer a amizade de muitos, como de outros, não.  E independentemente do que aconteça, eu não vou mudar pra agradar ninguém. Se sou do jeito que sou, o outro que me quer como amiga terá que aceitar isso e se um dia se decepcionar, não julgar,mas perceber que valeu a pena. Naquele pequeno momento que tivemos felicidade e amizade, existiu um valor que infelizmente, por exemplo, se perdeu. 

 Conclusão: Todos merecem uma pena, só precisam fazer com que esse fazer se torne algo significante.




quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Reflexões sobre o acaso (numa cadeira de plástico às cinco da manhã)


Nem sempre as coisas acontecem como a gente quer que aconteça. Que me perdoem os perfeccionistas, mas a imperfeição é linda. Não tanto quanto a ignorância, mas ainda assim, bela. Para os que acreditam em destino, vocês não fazem nada mais além de confiar no improvável. Na sorte, por assim dizer. Há quem diga que a sorte é uma coisa boa, mas na verdade o azar é algo inexistente. Por isso a sorte na verdade deveria se chamar entropia. Pois tudo que é entrópico é improvável, imperfeito, desconexo. Assim como a dita-cuja sorte. Acredite, se você ganhou na mega-sena, você ganhou por acaso. Se você escorregou no meio da rua, isso também foi obra do acaso. Não é porque Deus quis. Se Deus realmente existe, ele não tem o menor tipo de influência nessas coisas. Não porque Ele não pode ter influência, simplesmente porque Ele não quer. Provavelmente Ele se diverte vendo nossa luta contra (ou a favor) do acaso em nossas vidas.

            Costumo relacionar alguns sentimentos com o acaso. Por ora, o amor. Que todos desejam, que todos anseiam por preservar. Indubitavelmente, meu sentimento favorito. Quem, afinal não gosta de sentir aquele friozinho na barriga, as mãos transpirando suor, aquela vontade de estar por perto? Pois bem, o amor também é puramente fruto do acaso. Você não decide quando ou quem você ama, e quando você vai se apaixonar por alguém. Até aí tudo simples, você decidiu se acostumar com isso. Mas e os amores pra vida inteira? Quem estabelece os limites do amor? Não somos nós. Nem mesmo Deus, caro leitor. Como eu já disse, Deus  não quer controlar o acaso. Ele pode ter criado o amor, mas o amor por si tem vida própria.

            Bem, isso esclarece alguns pontos a respeito do amor, que todos nós temos dúvidas, principalmente o famoso paradoxo da “mulher de malandro”. Você sofre de amor (sim, amor é uma doença), e não existe remédio que o cure (não que alguém queira ser curado de amor, na verdade). E todo o o tipo de perjúrio que você sofre, você não sofre porque você é uma pessoa estúpida que tem o dedo podre. A lógica é simples: toda doença tem sintomas. Um dos sintomas do amor, talvez o pior deles, é dar a nós a imensa propensão de cometer erros. Ocasionalmente, você faz a coisa certa quando você ama, mas na maioria das vezes, tudo o que você faz é um erro. Ou melhor, diremos que você até acerta, mas acerta por engano. Todavia, o amor funciona como o próprio acaso, afinal de contas, ele é fruto dele. Quando sofremos de amor, estamos presos à vontade do acaso. Você não tem escolha, não tem saída. E isso é o mais belo do amor. Você se prende de uma forma tão forte ao acaso, mas tão forte, que você simplesmente se esquece dele. Logo, voltamos à nossa vida de planos e pretensões, mas doentes de amor.

            Pois bem, presos à imprevisibilidade do amor, o que devemos fazer? Agir contra o acaso, mesmo que eventualmente o acaso vá de encontro a você, ou simplesmente se deixar levar? Essa pergunta me bate à porta da mente muitas vezes, porque meus interesses pessoais entram em conflito constante com meu amor irracional e, quase sempre, eu acabo me deixando ir. Vou boiando levemente nas águas bravas do acaso, como se ele simplesmente não existisse. Não é bem o nirvana, mas eu pelo menos aceitei o acaso como inevitável. E o amor também. Afinal de contas, sofrer de amor não é ruim. Muito provavelmente não chega nem perto da receita de ter um amor pra vida inteira. Mas se essa receita é decidida pelo acaso, quem sabe?


- Escrito por André Chamon, 2013.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Olá, adeus.

 E eu disse adeus. Adeus pra toda ilusão que criei em minha mente torta, querendo que tudo fosse verdade e, ao mesmo, preferindo que fosse mentira.
  Via as coisas de um jeito, engraçado até, porém muito contraditório. Será que nesse tempo todo eu fui a cega? Eu me prendo na verdade de que seria o correto, seria  o pico mais alto da minha confiança pra levar um tombo dos mais altos. Talvez eu tenha sido sim, mas por outro lado, posso estar muito mais correta do que muitos que já me tiraram a razão. Ou não.

 É estranho agora lidar com essas coisas pesadas, pensar como será ou seria se tivesse feito algo a mais ou a menos. Infelizmente, passado é passado. Fui obrigada a dizer adeus, já não tava me fazendo bem, mesmo pagando pra sofrer. Talvez eu realmente fosse a cega otária. O que eu menos queria aconteceu, e depois de muito não posso achar um culpado, nem me culpar. Foi uma linha torta que conduziu pro torto.
 O mais legal disso tudo é que quando você dá adeus, no mesmo instante em um novo Olá. As coisas que mais queremos  devem ir embora pra que as coisas que menos esperamos possam se tornar grandes. 

 Então, não foi um Adeus e sim um até breve, porque chegou um novo Oi pronto pra ser Olá e quem sabe ser um tchau.