Presente.
Passado. Futuro não existe.
Foi como se eu tivesse em outra dimensão,
regada de incertezas e imagens sem formas, apenas vultos e deformidades. Diria
eu que estaria no País das Maravilhas mais tenebroso que o do Tim Burton. Só
que de maravilhoso nada tinha. Estava cercada. Era como se eu tivesse a
oportunidade de nascer de novo e arrumar todas as burrices feitas na minha
vida.
Meu subconsciente mostra a vida que levei, os
erros que cometi e as alegrias conquistadas; pude sorrir de novo. Estou presa
no meu sonho eterno, torcendo apenas para que um dia eu saia do estado que me
encontro: em coma.
Sofri um acidente alguns anos atrás, contarei
essa parte:
Eu era
estudante e conheci muita gente nova,
outras amizades e inimizades, tudo novo.. .Até paixão nova. Esse
carinha era um amor de pessoa! Tinha seus defeitos, entre eles, sua imaturidade
de ver as coisas.
Deixe-me
levar com essa novidade e me meti na enrascada de amar alguém que só quer
curtir. Acredito que ele gostava de mim, mas no momento em que se encontrava,
nada importava a não serem festas, álcool, mulheres para comer. O que podia
fazer? Estava no direito dele de se divertir e não se prender, mas apesar de
entender isso, outra parte minha não queria. Ceguei-me. Ficávamos sim, e eu
apenas dizia que estava bem com aquela situação não recíproca, e ele coitado,
não fazia ideia de como eu me sentia realmente..E foi ai que errei. Queria
muito abrir o jogo, matar esse monstro que me destruía cada dia mais, mas não
dava: fui fraca, teimosa e covarde. O que custaria dizer? Na minha cabeça,
muita coisa. Perderia amizade, clima ruim, etc.. Tudo pensando no lado
negativo, porque tinha certeza que eu sairia na pior.
Dentre todas
as noites, momentos que ficamos juntos, eu me sentia mais feliz e mais burra ao
mesmo tempo. Estava mais que sufocada, queria jogar tudo pro alto, mandar um
foda-se pra tudo, mas meu sentimentalismo não deixava. Em uma dessas festas,
fiquei bêbada – e como sabem, bêbado não faz nada certo- e fui falar com ele. Falei tanta bosta, falei
tudo o que eu não queria. Ele saiu puto, me deixando pra trás e fui tirar
satisfações, seguindo-o até a saída. Sabe-se lá por que, estávamos discutindo
na calçada. Eu falava que ele era imaturo demais, que deveria crescer e ver que
as coisas não são da Terra do Nunca, ninguém curte pra sempre e fica na frente.
Ele não considerava nada do que eu
dizia, já que estava mais pra lá do que pra cá. Foi então que aconteceu: na
hora da discussão, ele foi atravessar a rua
sem olhar pros lados. Quando se encontrava no meio dela, olhou pra trás
e começou a falar muitas coisas pra mim. Eu queria prestar atenção, mas algo me
impedia. Eu ouvia buzinas, via luzes fortes se aproximando e minhas pernas
apenas foram.
Bom, a ultima coisa que vi foi ele sendo jogado
por mim pro outro lado da rua e a cara de desespero dele. Depois, tudo ficou
escuro. Não sei quanto tempo já passou, sei que estou apenas com meu
subconsciente. Às vezes escuto vozes
externas, mas ainda é tudo muito confuso de entendê-las. Sacrifiquei-me por amor e estou pagando o
preço. Será que ele valia tanto assim a
ponto de me por na linha cruzada? O que valia mais: a minha ou a vida dele? São
algumas perguntas que me rodam. Eu ainda não sei como respondê-las, não sinto
raiva dele ou do que acontecera. Aliás,
me sinto culpada. Se eu tivesse falado as coisas certas, nada disso teria
acontecido. Agora ele nunca saberá como me sentia, e acho que seria melhor
assim. Talvez se eu sair desse coma, eu fale. Eu não conto com o futuro, apenas
sei que estou viva e – vivendo indiretamente- livre. Meu presente é esse: a
incerteza e olhos fechados por um tempo indeterminado.
Loucura, né? Como vocês podem saber disso se
estou apenas falando comigo mesma?
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