Ela o amava. Ele só queria curtir a vida. A história deles
começou do nada e terminou em lembrança..
Ela acordou depois de ter um sonho esquisito, parecia real.
Sentou-se na beirada da cama, procurando suas pantufas com o pé, esfregando a
manga do pijama nos olhos, e com a outra manga, tentava arrumar o cabelo a la
medusa. Foi em direção ao chuveiro tomar aquela ducha gelada querendo esquecer
o que sonhara. Deixando as gotinhas frias em sua face, olhava pra cima
procurando resposta no chuveiro metálico “ Como se fosse adiantar, pif”.
Vestiu sua roupa de
estágio, pegou a marmita que preparou na noite anterior, e numa velocidade a
mil, saiu correndo atrasada.
Ele estava no vestiário do clube terminando sua ducha após
treino. Passava desodorante, perfume,
enrolado com uma toalha na cintura, parecia um modelo (só que não). Colocou sua
bermuda, chinelo e uma camiseta toda estilizada. Seus óculos escuros cobrindo
aquelas duas azeitonas. Estava indo pra faculdade.
Eles já se conheciam, tinham alguma parte de uma história
começada, mas pra ela, ainda estava tudo muito confuso quando se tratava de
entender aquele sentido. Coração fala mais alto, sempre a coloca em situações
errôneas. E foi num dia desses que tudo aconteceu:
“ A lua tá tão bonita, né?” – suspirava
“ Sim, bem brilhante...”
“ Sabe, queria falar contigo...”
E então depois de um bom tempo, ele levantou e deu as costas
indo embora. Ela ficou sentada no meio- fio olhando a lua, e daquele brilho
exuberante, refletiam em lágrimas silenciosas. Quando foi pega de surpresa:
recebeu um abraço por trás, sentia a respiração em sua orelha, parecia
assustada. “ Você é uma tola”. E ficaram ali abraçados olhando pra o céu, em
silêncio, como se esperassem o nascer do sol.
A partir daquele dia,
não se tornaram namorados, mas viviam uma vida conjugal muito tranquila. Saíam,
trocavam mensagens, discutiam, porém tudo estava ali, bem ou mal.
Num dia de estágio, seu celular toca e um número restrito.
Atendeu desconfiada. Foi quando seus olhos se encheram de lágrimas, com soluços e tremedeiras. Levantou correndo
em direção à saída. Estava desnorteada, só queria ir pro hospital. Suas pernas
corriam por vontade própria, nas condições em que ela se encontrava, nem
poderia sair do lugar. Parecia longo o caminho, nada fazia sentido...
Ao entrar no quarto onde seu amado estava desmaiado, deitou
em cima de seu peito e começou a chorar. Dizia “ Por favor, não me deixe! Não
me abandone, preciso de você comigo!”. Quem estava no quarto se comoveu diante
de tanto pranto e demonstração de amor “eu faria qualquer coisa pra te salvar”.
Nesse exato momento, uma voz dentro de sua cabeça começou a falar coisas sem
sentido. Ao perceber, o tempo tinha parado e ela estava em seu subconsciente,
de cara um homem vestido de bobo da corte.
“ Minha cara, você
faria tudo pra salvá-lo?”
“ Que merda é essa?! Quem é você, onde estou, oi bem?!”
“ Eu sou alguém que você criou para salvar seu amado, está
disposta?”
“ E eu confiaria em ti por...?”
“ Porque você que me criou. Agora, eu posso te ajudar...”
“ Como?”
“ Ele tá muito fraco. Eu posso pegar um pouco de sua energia
e passar para ele, salvando-o.”
“ Eu acho que bebi. Isso é impossível! Seria trocar a minha
vida pela dele?”
“ Não. Seria você doar um pouco de sua energia vital para salvá-lo.
Continuaria viva e forte, no entanto..”
“....”
“ Ao realizar tal ato, vocês perderão a memória. Ele não se
lembrará de você e vice e versa..”
“ Isso tudo é
loucura, mas parece verdade. Eu poderia recusar, mas prefiro vê-lo vivo e
realizando seus sonhos..- mesmo eu não fazendo parte disso.” Chorava, mas
determinada. Sua consciência estava limpa, estava disposta a perder tudo pra
recomeçar.
O processo foi feito,
e antes que ela perdesse a consciência, esse ser misterioso lhe avisara “
Nenhuma lembrança se apaga. Está sempre conosco, adormecida. Uma hora pode
despertar, ai é com você.”
Sua mente se esvaziou. Estava tudo branco.
Ela acordou depois de
ter um sonho esquisito, parecia real. Sentou-se na beirada da cama, procurando
suas pantufas com o pé, esfregando a manga do pijama nos olhos, e com a outra
manga, tentava arrumar o cabelo a la medusa. Foi em direção ao chuveiro tomar
aquela ducha gelada querendo esquecer o que sonhara. Deixando as gotinhas frias
em sua face, olhava pra cima procurando resposta no chuveiro metálico “ Como se
fosse adiantar, pif”.
Vestiu sua roupa de
estágio, pegou a marmita que preparou na noite anterior, e numa velocidade a
mil, saiu correndo atrasada.
Andando pela rua,
pensando ainda no sonho, cruzou com um garoto de bermuda, óculos de sol,
camiseta estilizada e chinelo. Os dois cruzaram os olhares e depois continuaram
adiante, um para cada lado.
Estava frio, e o vento carregava pra longe lágrimas de
alguém que lembrou.